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:) CanalSonora (:

_________________________________ a 37° 7′ 0″ N, 7° 39′ 0″W ____________________________ ~pequenos livros ~ grandes segredos ~ volumes portáteis ~ emoções resguardadas~

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MARCO MACKAAIJ | na FLO 2018

N próxima quarta-feira, 18 de Julho, pelas 21h30 na FLO - Feira do Livro de Olhão, o autor Marco Mackaaij, que lançou recentemente 'Em Segunda Língua', o seu segundo livro na CanalSonora, participará numa conversa moderarda por Adriana Freire Nogueira. Também participam na sessão João Luís Barreto Guimarães, o mais recente premiado com o prémio António Ramos Rosa, e a professora universitária e tradutora Catherine Dumas.

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CANALSONORA | na Livraria Poetria

A livraria Poetria, na rua das Oliveiras nº72, no Porto, acolhe as edições da CanalSonora. Pequenos livros, grandes segredos que têm de ser vistos para poderem ser lidos. Peçam que vos mostrem as emoções resguardadas nestes volumes portáteis, ali onde «A poesia, se não for o lugar onde o desejo ousa fitar a morte nos olhos, é a mais fútil das ocupações.»  (Eugénio de Andrade)

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MARIO RODRÍGUEZ | Inventario

O autor espanhol, que é já um habitué dos eventos de poesia que acontecem no Algarve, regressa à região a 21 e 22 de junho, para apresentar ‘Inventário’ o seu mais recente livro bilingue, traduzido por Fernando Pessanha. As apresentações em Vila Real de Santo António (Biblioteca Vicente Campinas, 18h) e Tavira (Casa Álvaro de Campos, 21h45) estarão a cargo de Vítor Gil Cardeira. Mario Rodríguez García trata a poesia com o mesmo cuidado com que ama a Serra de Aracena onde vive, ou como lhe agrada descer ao litoral, sempre com o olhar desperto para as paisagens e o coração aberto para as pessoas. Amante de fotografia, e da cultura e língua portuguesas, sempre sentiu necessidade de ter as suas sensações traduzidas. Quando participou no evento ‘Poesia a Sul’ conheceu as edições da CanalSonora e esse contacto visual tornou-se desejo, feito livro, agora tornado realidade.

 

Tiempo de cerezas

 

Es difícil concretar el momento.

 

Establecer el día

de culpa o de heroísmo,

cuándo creció la mata,

dónde abrió los pétalos

y quién lo supo antes.

 

Conocer el instante

de alinearse planetas,

dedos y labios, cómo,

al descuido de virtudes

o decoros, alcanzaron

las manos su destino,

las rutas que siguieron.

 

Suerte que, para el regreso

al beso y la caricia,

nunca necesitamos

de los aniversarios.

                              

                                                                    

                                                                                                                                                   

Tempo de cerejas

 

É difícil concretizar o momento.

 

Estabelecer o dia

de culpa ou de heroísmo,

quando cresceu a floresta,

onde desabrocharam as pétalas

e quem antes o soube.

 

Conhecer o instante

do alinhamento de planetas,

dedos e lábios, como,

ao descuido das virtudes

ou decoros, alcançaram

nas mãos o seu destino,              

as rotas que se seguiram.

 

Felizmente que para o regresso

ao beijo e à carícia,

nunca precisamos

de aniversários.

 

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MARCO MACKAAIJ | Em Segunda Língua

A CanalSonora tem o prazer de anunciar que se encontra já disponível a edição do novo livro de Marco Mackaaij.

Escritos originalmente em português, os poemas de Em Segunda Língua apresentam um balanço poético entre dois países e duas culturas, numa mesma vida.

A apresentação por Luís Ene será no ARCM bar em Faro, no próximo dia 17 de Junho (domingo) pelas 18h.

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RELER

 

Logo depois

lês o que tinhas em mente,

não o que escreveste.

 

Anos depois

lês o que escreveste.

Mas o que tinhas em mente?

MARIA LUISA DOMINGUEZ BORRALLO e ELADIO ORTA | em Tavira

Dois dos poetas espanhóis que participaram na revista AguasVivas, publicada em 2016 pela CanalSonora, estarão presentes em Tavira, na Casa Álvaro de Campos para uma sessão de leituras que decorre da edição dos seus livros mais recentes pela madrilena Amargord ediciones em 2017. Na apresentação, María Luisa Domínguez Borrallo e Eladio Orta serão recebidos por Pedro Jubilot.

 

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... de AguasVivas 

 

EladioOrta 

PRELUDIO

 

callada y triste

como una niña sin respuesta

busca la lluvia en mi brazo y

recorremos la arboleda

rompiendo versos a pedazos

escribiendo mal a conciencia

porque bien ya otros lo hacen

y no ha ocurrido nada

tan sólo

han levantado admiraciones.

                              ~ 

calada e triste

como uma menina sem resposta

busca a chuva no meu braço e

percorremos o bosque

rasgando versos em pedaços

escrevendo mal de propósito

porque bem já os outros o fazem

e não aconteceu nada

apenas 

levantaram admirações

 

 

Maria Luísa Dominguez Borrallo                                                          

TIEMPO ROTO / TEMPO QUEBRADO


Si en el azar del caos

atisbas el último respiro
de tu nombre en mis palabras.
Si el grito acalla esta historia
sin fondo ni techo
y el eco atraviesa los gemidos
de un orgasmo en mi garganta.
Es que te mueres amor
por haber dormido el tiempo,
es que perezco en este trance
de descolgar de tu mirada
los días que hemos perdido
sin amarnos.

                             ~ 

se no azar do caos

vislumbras o ultimo folego

do teu nome nas minhas palavras

se o grito silencia esta historia

sem fundo nem cobertura

e o eco atravessa os gemidos

de um orgasmo na garganta

és tu que morres amor

por teres adormecido no tempo

porque pereço neste transe

de descolar da tua vista

os dias que perdemos

sem amarmos

FERNANDO PESSANHA | microconcerto no EDITA

In Tento Trio apresenta-se em Punta Umbria no proximo sábado 5 de Maio, no âmbito do 40º Festival IberoAmericano de la Edición, la Poesia y las Artes. O microconcerto '3 poemas musicados' acontecerá no Teatro del Mar, pelas 13h30 locais. Do trio faz parte como pianista Fernando Pessanha, o autor do conto bilingue «A Musa/La Musa» editado pela CanalSonora em 2016.

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FERNANDO CABRITA | na rota dos festivais

Fernando Cabrita continua na sua rota de levar a poesia portuguesa a eventos e festivais por todo o mundo. Nestes últimos dias de Abril esteve em Fez, dirige-se agora em Maio para Eskeshir, na Turquia e depois chegará a Marrakech. 

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Editou já dois livros pela CanalSonora'Ça C'est Ma Riviére' (2015) e 'Três Odes'(2017)

De 'Ode ao Vento'

 

(...)

Pergunto-me por onde andarás hoje,

irmão branco sem cor da névoa.

Que outros faustos visitará teu corpo entre cegueiras de luz?

O dia amanheceu, amaciado e limpo,

na transparência das casas por onde andámos antes.

Tu e eu,

criatura mortal e coisa etérea,

tu e eu, ser efémero e efemeridade eterna,

tu e eu, pessoa e brisa,

sempre tu e eu no palco branco

de um passado antigo.

O mar está lá, sempre,

lá onde tudo é fugaz e perpétuo,

lá onde só a memória sobrevive,

ao sul,

cada vez mais ao sul,

sempre ao sul do sul de todo o sul,

sempre canções de embalar e brevíssimas melodias de águas.

 

Por onde andas, irmão profundo?

Que clara noite acolhe teu corpo de invisível nuvem?

Delidos de ti vamos, iniciais e puros.

Nada respira nesse imperturbável hálito dos deuses.

Nenhum hausto de horizonte permanece.

 

De manhã ressumas um ar sem nome e sem idade.

De manhã cresces nas volutas de luz que dão as praias,

e as montanhas

e a clara voz do nosso olhar.

De manhã somos assombro e deslumbramento,

e nada é vão, e nada é triste mesmo quando há tristeza,

e tudo é novo como uma árvore jovem que tem ainda todos os céus por habitar.

(...)

LUÍS OLIVEIRA | Universos Dissonantes com ET3R

ET3R, conceito pluridisciplinar que funde a Poesia, a Fotografia e a Paisagem Sonora, e que já interagiu com textos de Natália Correia, Lautréamont ou Maya Angelou, apresenta no seu mais recente video o poema 'Universos Dissonantes' de Luís Oliveira. O autor publicou em outubro passado o livro'Crisântemos de Abril' na CanalSonora.

 

 

Universos Dissonantes

 

Que te seja leve o peso dos astros

e que dos teus lábios irrompa

a beleza nua das magnólias

cujas raízes se cruzam geometricamente

para lá dos alicerces do Cosmo.

 

Sai porta fora, contempla a paisagem

que se transmuta em ti

que o vento te leve na transumância das luas

 

Deixa que o Infinito extasie os orgãos do teu corpo

espalha a lava com a ponta dos teus dedos.

pressente a fragilidade daquilo que deve ser preservado

 

Apesar disso, olho para a palma da minha mão

traduzo ou tento traduzir

o que a tempestade grafitou no granito

transcendo de ti humilde cinza

 

Sinto que sou o centro nevrálgico do meu Universo.

LUÍS OLIVEIRA | dois poemas

Inéditos imediatos, «no universo» - onde acompanhar o alucinante quotidiano poético do autor.

 

 

vivo assim  escutando o inaudível pela frincha da porta
com as cores explodindo como cheiros na retina ocular
caminho absorto em bico de pés 
a palavra troveja no silêncio das mãos
vejo-me como um reflexo dentro do abismo do Mundo
e no entanto
antes que a noite caia como um grito no corpo
deixa-me
por um instante viajar o veludo dos meus lábios
na aurora boreal da tua pele
e a infinita invisibilidade será, por fim, o louco sorriso de uma criança

 

260191_1939278483115_8359803_n.jpglo.jpgfotografia Jorge Jubilot

 

a minha mão esquerda está-se nas tintas para a escrita.
a minha mão esquerda é inútil e egoísta
a minha mão esquerda julga todo o trabalho abjecto.
a minha mão esquerda sonha
sonhadoramente leva o cigarro à boca do abismo
transforma o abismo em galáxias
a minha mão esquerda é a força inspiradora da minha mão direita
então a minha mão direita escreve aquilo que a mão esquerda ama.

MARCO MACKAAIJ | Perdidos e Achados

Já disponível a versão digital para leitura online, no blogue da CanalSonora, da plaqueta cs27 'Perdidos e Achados' de Marco Mackaaij , que reune 7 novos poemas apresentados em novembro no festival 'Poesia a Sul' . 

O autor também regressou esta semana às páginas do blog Enfermaria 6 com 4 poemas que poderão fazer do seu proximo livro.

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Perdido e Achado

 

Após trinta horas e quatro voos,

mais do que o outro lado do mundo

alcança-se o outro lado da mente.

 

Mais oh! menos oh! novos ex-libris

debotam e apanham pó nas prateleiras

da memória, mal as retinas

regressam às rotinas.

 

Menos previsível é o prazer de

aterrar num presente sem passado

e não me encontrar no tapete.

 

O meu sorriso aliviou o peso

da Aussie dos Perdidos e Achados.

Sempre me pareceu esse o charme de viajar:

poder viver um pouco sem bagagem.

MARIA AFONSO | ( eu diria que nevava )

Lançado em 21 de fevereiro de 2016, na CanalSonora 

 

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sabe à brancura da cal das casas e

aos perfumes de um perfeito matiz azul

 

ao meio dia as pedras abrasam

os passos sobre o largo que se esconde

na sombra da capela

 

ao entardecer pressente-se nas ostras

o odor da poesia

 

demoramo-nos e adormecemos em cacela

porque o amanhecer sobre a ria que é mar

há-de vir só para nós

 

e havemos de ficar, ali, de braços ao longo do corpo

a olhar despojados de clepsidras

 

os pulsos soltos

FERNANDO CABRITA ~ Três Odes

« E o cão continua a ser o nosso melhor amigo? »

Ainda no rescaldo das edições de final de 2017, encontramos esta leitura de Maria Afonso 

ao livro Três Odes de Fernando Cabrita

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Ode à Minha Rua - “Dormíamos à tarde porque sabíamos que havia mar”. “O grande segredo das nossas existências era o mar (…) que corria a nosso lado como um cão fiel”.

Ode a Tirésias – “Quem chegou do mar, entre abetos mortos e pranchas de naufrágios de ontem?”. “E o cão? Não tem cão? Deixe lá. Logo lhe aparecerá um. Há tantos por aí, abandonados”

Ode ao Vento – “Lembras-te quando nos sentávamos frente ao mar e eu ali ficava, vendo-te, e à tua invisível mão, a pairar sobre as águas? “Corre a meu lado, cão fiel”


A rua, Tirésias e o vento. Uma doce melancolia atreve-se a ocupar um espaço oco dentro de nós. Todos vivemos naquela rua e tivemos amigos e vizinhos de quem não esqueceremos os nomes. Ainda os chamamos para que nunca morram. Aguardamos, sentados, por dentro da lembrança. Temos a certeza que um dia andámos de bicicleta na nossa rua. A opacidade da vida que correu mais veloz que a bicicleta turva-nos o sol. Mas se na nossa rua “o mundo era muito maior. E nós imensos”, por que não havemos de manter “a saudade sentada num cais em forma de coração”?

Tirésias, o homem e a mulher que também somos. Vidente, sim. E nós com ele, cegos, a adivinhar o futuro que não desejamos revelar. “Quando chegaremos a nossa casa?”, ainda que regressemos “fantasmas do que fomos (…) sem rosto”. Um trovador pode sempre amenizar a “maldição de ter todo o futuro e todo o passado”. Onde o encontraremos se velamos “a queda de um continente”? Então que se amem as serpentes. Que Hera aprenda: se o prazer for divido em dez partes, a mulher ficará com nove e o homem com uma.

“Deixa que te cante (…) meu irmão de sonhos bordados a lira”. Vento. Celebração do amor ao voo de “um ferro-velho das horas”. Sabemos como nomear o vento. Percorremos com ele a história da Humanidade. “Onde andarás hoje? (…) o dia amanheceu na transparência das casas por onde andámos antes. Tu e eu.”. Nós também.

Há componentes paralelos que envolvem as três odes. O que foi e o que é. A rua. O mundo. O vento. Uma memória imorredoura que nos faz andar em frente como uma saudade que se mastiga. Todos os sabores dos dias que morriam nas nossas mãos. Um travo algo amargo a querer retardar-nos o caminho e o sentir. Mas como, se o mar está lá, a sul. E o cão continua a ser o nosso melhor amigo?

CANALSONORA |

nos dias de uma esperança de quem largou velas para manter acesa a chama de um futuro que se prometeu

                                                numa estação  fria e ventosa de outras expedições                                                           

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foto | Jorge Jubilot

VAN S.a | Conto

Árvore de natal

 

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Sair umas paragens de autocarro antes, só para regressar a casa a pé, a sentir o frio na cara, e ofuscar-se dos néones da época festiva, observar as caras dos que ainda esboçam sorrisos felizes talvez sinceros neste fim de outono. cruzar as ruas, iluminar os olhos ao comércio em busca de ideias para umas duas prendas. em vão. tudo tão caro na capital city.

 

Chegar a casa, preparar um bitoque com ovo a cavalo, depois tirar um café à maneira com pastel de nata e tudo, sabe sempre bem, a quem é emigra, ter um carinho doce com o gosto lá da terra, acender as luzes da árvore de natal e sentar-se no sofá. ufa! cansada. pudera! o tempo destes dias é sorvido numa voragem desenfreada que nos consome a vida, em que já ninguém tem necessidade de questionar o absurdo das coisas, das exigências internas e externas….

 

Ainda bem que - entre não ter tido tempo e se ter esquecido e ainda mais outros afazeres inadiáveis, tarefas para ontem, - não desmontou a árvore de natal. a do natal passado. calha bem ter as luzinhas multicolor ali a piscar. até que o inverno já entra de novo amanhã. é melhor tirar o bacalhau de molho para a consoada.

MARCO MACKAAIJ | Perdidos e Achados

Já disponível online a entrevista de Marco Mackaaij ao Cultura.Sul - suplemento mensal do Postal do Algarve. No texto 'Quotidianos Poéticos'. Aí pode ler-se um dos poemas incluídos na sua mais recente edição para a CanalSonora, a plaqueta 'Perdidos e Achados'. 

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FERNANDO CABRITA ~ Três Odes

Fernando Cabrita acaba de editar mais dois livros. 'El Sermón se la Montaña' pela editora espanhola Baile del Sol e 'Três Odes' ( cs25|livr~nov17| ) pela CanalSonora. Estão disponiveis em tienda Baile del Sol e CanalSonora ~ Facebook , respectivamente.

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MARCO MACKAAIJ | Perdidos e Achados

A mais recente edição da CanalSonora ( cs27|plaq~nov17 ), 'Perdidos e Achados' de Marco Mackaaij, é uma plaqueta de 7 poemas inéditos. Foi apresentada no evento Poesia a Sul, com uma tiragem limitada, mas pode agora obter-se gratuitamente em formato digital (pdf). Basta pedir através de mensagem para a página facebook da CanalSonora.  

A não perder a entrevista com o autor que sairá amanhã no CulturaSul - suplemento do jornal Postal do Algarve, e que tem distribuição no Algarve com o jornal Público.

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PERDIDO E ACHADO

 

Após trinta horas e quatro voos,

mais do que o outro lado do mundo

alcança-se o outro lado da mente.

 

Mais oh! menos oh! novos ex-libris

debotam e apanham pó nas prateleiras

da memória, mal as retinas

regressam às rotinas.

 

Menos previsível é o prazer de

aterrar num presente sem passado

e não me encontrar no tapete.

 

O meu sorriso aliviou o peso

da Aussie dos Perdidos e Achados.

Sempre me pareceu esse o charme de viajar:

poder viver um pouco sem bagagem.

PAULO MOREIRA | Maternidade

O livro de microteatro «Maternidade» de Paulo Moreira foi lido e analisado por Nuno Soares na página Opina - Espaço de Divulgação Cultural (https://www.facebook.com/opinaquenemumdoido?ref=hl).Assim:

 

“Maternidade” é o mais recente livro do dramaturgo e encenador Paulo Moreira que veio à luz no dia 18 de Outubro pelas mãos da editora Tavirense CanalSonora.

O livro, assaz particular, é um compêndio de textos dramáticos que apresenta ao leitor 3 peças escritas pelo autor, num formato único. O uso da transparência provoca interessantes efeitos de esbatimento, sobreposição e revelação que acrescentam à experiência de leitura e as imagens de Isabel Brinca acrescentam profundidade estética e emotiva.

“Maternidade”, “Fenómenos Quânticos Contemporâneos” e “Quando os Mortos Falam”, as três peças, abordam temas diferentes, mas contam com traços comuns de sátira e comicidade que se mostram transversais na obra do autor.

Estejamos perante as conturbadas relações de Luís com as ambas as mães dos seus filhos, o desinteresse e desrespeito pela obra de outrem, camuflados entre chico-espertismo tão típico como referência cultural em terras Lusas ou num cemitério perto de si, podemos contar com momentos de boa disposição nos textos de Paulo Moreira que facilmente nos fazem imaginar como será ver, ao vivo, tais peças reproduzidas por talentosos actores.

Um interessante livro de “quase” bolso, que ganha pontos pela riqueza do conteúdo e pela originalidade e beleza do formato. Ideal para quem gosta de texto dramático e de uma boa gargalhada e uma boa maneira de conhecer a obra de um interessante autor e de uma editora local.

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POESIA A SUL | Lançamentos CanalSonora

Pedro Jubilot apresentará, na proxima sexta 10 de Novembro, as mais recentes edições (2017) da Canalsonora. A sessão, incluida no evento Poesia A Sul, terá lugar no bar Cantaloupe, nos mercados de Olhão, pelas 18,30 

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LANÇAMENTOS | 3 e 4 novembro

A CanalSonora lança na proxima sexta 3, e no sábado 4 de novembro mais dois livros, que serão apresentados no III Encontro Poesia a Sul, em Olhão,  a 10 (18,45~Cantaloupe) e 11 (12,00~Galeria Sul,Sol e Sal) de novembro.  

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Três Odes de Fernando Cabrita, onde o autor glorifica Tirésias, o Vento, e aquela onde o poeta regressa sempre – à Rua, de Olhão, de onde, mesmo que o quisesse, nunca chegaria a sair. Desta vez os desenhos são do próprio autor.

Inventário de Mario Rodriguez, é um poemário bilingue (português/espanhol) do autor de Aracena, amante de fotografia, e da cultura e língua portuguesas, que sempre sentiu necessidade de ter as suas sensações traduzidas. Quando participou na primeira edição do evento ‘Poesia a Sul’ conheceu as edições da CanalSonora e esse contacto visual tornou-se desejo, feito livro, agora tornado realidade. Com a tradução de Fernando Pessanha.