Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

:) CanalSonora (:

_________________________________ a 37° 7′ 0″ N, 7° 39′ 0″W ____________________________ ~pequenos livros ~ grandes segredos ~ volumes portáteis ~ emoções resguardadas~

:) CanalSonora (:

_________________________________ a 37° 7′ 0″ N, 7° 39′ 0″W ____________________________ ~pequenos livros ~ grandes segredos ~ volumes portáteis ~ emoções resguardadas~

FERNANDO CABRITA | na rota dos festivais

Fernando Cabrita continua na sua rota de levar a poesia portuguesa a eventos e festivais por todo o mundo. Nestes últimos dias de Abril esteve em Fez, dirige-se agora em Maio para Eskeshir, na Turquia e depois chegará a Marrakech. 

31672400_1826995814031747_1107597891553198080_n.jp

 

Editou já dois livros pela CanalSonora'Ça C'est Ma Riviére' (2015) e 'Três Odes'(2017)

De 'Ode ao Vento'

 

(...)

Pergunto-me por onde andarás hoje,

irmão branco sem cor da névoa.

Que outros faustos visitará teu corpo entre cegueiras de luz?

O dia amanheceu, amaciado e limpo,

na transparência das casas por onde andámos antes.

Tu e eu,

criatura mortal e coisa etérea,

tu e eu, ser efémero e efemeridade eterna,

tu e eu, pessoa e brisa,

sempre tu e eu no palco branco

de um passado antigo.

O mar está lá, sempre,

lá onde tudo é fugaz e perpétuo,

lá onde só a memória sobrevive,

ao sul,

cada vez mais ao sul,

sempre ao sul do sul de todo o sul,

sempre canções de embalar e brevíssimas melodias de águas.

 

Por onde andas, irmão profundo?

Que clara noite acolhe teu corpo de invisível nuvem?

Delidos de ti vamos, iniciais e puros.

Nada respira nesse imperturbável hálito dos deuses.

Nenhum hausto de horizonte permanece.

 

De manhã ressumas um ar sem nome e sem idade.

De manhã cresces nas volutas de luz que dão as praias,

e as montanhas

e a clara voz do nosso olhar.

De manhã somos assombro e deslumbramento,

e nada é vão, e nada é triste mesmo quando há tristeza,

e tudo é novo como uma árvore jovem que tem ainda todos os céus por habitar.

(...)