Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

:) CanalSonora (:

_________________________________ a 37° 7′ 0″ N, 7° 39′ 0″W ____________________________ ~pequenos livros ~ grandes segredos ~ volumes portáteis ~ emoções resguardadas~

:) CanalSonora (:

_________________________________ a 37° 7′ 0″ N, 7° 39′ 0″W ____________________________ ~pequenos livros ~ grandes segredos ~ volumes portáteis ~ emoções resguardadas~

LUÍS OLIVEIRA | Crisântemos de Abril

LUIS OLIVEIRA - CAPA.jpg

~ Crisântemos de Abril  de  Luís Oliveira, editado este mês de outubro pela CanalSonora, teve o seu lançamento no passado dia 21, no Porto, no bar 'Era Uma Vez'. O convidado para o efeito foi António S. Oliveira. No blogue Centro Nacional de ContraCulltura publicou a apresentação «Vim aqui lançar um clássico, diz o poema» :

 

Vim aqui lançar um clássico

Nada há de mais clássico

Que o primeiro livro

Onde a musa lança a primeira pedra

Como um ser vivo

não humano mas um clone

um Outro que lhe é intrínseco

 Lhe diz tens mãozinhas e pezinhos

faz-te à vida que a morte

é uma livraria onde se decom-põem

 as centenas de livros editados diariamente como um caso sério

De senilidade da nossa cultura, ciência e politica

 

Tal como as cavernas casas o livro 

constrói-se com os cornos enfiados na terra

 

Poesia é uma flor que floresce depois de morta

 

A necessidade de novas metáforas para alimentar o sistema

Faz fome de  dialéctica depois de falhar três vezes

e de contaminar o espírito do seu tempo com a ambrósia

das  águas placentas engarrafando-as

para dar à luz a Fénix e as suas ruínas

 

Nas suas trevas

deambulamos

como gado

num aido

 

Bem-vindo ao mundo  das trevas

 

Os poemas são factos desconhecidos

que dão vida ao impossível

espírito cientifico

Pois em si reúne o Poeta

a Pedra e o Bisturi

 

E a eles não te atrevas

senão

cumprir a tua tarefa  da necessidade de poetas do erro sistemático que perturbem o normal funcionamento do sistema

 

Só poeta Ser-hás-de depois de negares o teu primeiro livro

Mesmo que a vida passes a escrevê-lo

A rasgar

A escrever

A rasgar

A emendar

A cortar

Até te queimares

Sem deixar resíduo

 

Bem-vindo ao mundo dos mortos

 

Um elevador chamado eu sou

Mas não sou mas se o sou por necessidade de nada ser

Sem o mal do mundo

Na ausência de gravidade

E inexistência duma só realidade, mas todas

Na tarefa     de o ser impossível senão outro

 

entrar  em negação

deambulando bêbado de néctar e ambrósia

 

De boas intenções está a poesia farta

e dos seus apócrifos livros cheios de poemas insubstituíveis

 

Mugir as palavras

tens

 

A pulso deves

Mugi-las

Para lhes sacar  a ambrósia e o néctar

 

Também elas se cansam de nós

 

As palavras têm cérebro memória e medo de não serem ditas

 

As palavras são como  cervejas fazendo da vida um inferno

Esse bolo poético (à base de ambrósia e néctar) com a verdade em cima

Com que dás vida ao cadáver esquisito

 

 

*Crisântemos flor preferida para acampar no dia dos mortos (e/ou fieis defuntos), nos cemitérios tem/tinha  um nome de guerra , entre as floristas no mercado do Bolhão no Porto,  de Salazares.