Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

:) CanalSonora (:

_________________________________ a 37° 7′ 0″ N, 7° 39′ 0″W ____________________________ ~pequenos livros ~ grandes segredos ~ volumes portáteis ~ emoções resguardadas~

:) CanalSonora (:

_________________________________ a 37° 7′ 0″ N, 7° 39′ 0″W ____________________________ ~pequenos livros ~ grandes segredos ~ volumes portáteis ~ emoções resguardadas~

LUÍS OLIVEIRA | Crisântemos de Abril

O poema já existe antes de ser escrito, e lido por Maria Afonso

                                              lo.jpg                          

Não tem consciência que o poema o habita. Sabe apenas que o seu sangue pode entrar em ebulição e que as veias arriscam explodir. Sabe porque sente. É pura a sensibilidade. A sensação. Na pele. Na boca. Nas mãos. Pelos olhos saltam palavras de fogo. O lume que se acende dentro não é roubado. A verdadeira liberdade vive no poeta. A liberdade vive-o, ainda que ingénua. Porque nasce com o homem, tantas vezes a sentir a vertigem da morte mesmo que diga “não tenho medo de morrer aqui” e oferecer ‘’os pulsos ao cosmos” porque assim o quer, em liberdade. Até porque “a esperança é um lugar longínquo” na ‘’desordem de todos os sentidos”. Mas como pode alguém com todos os sentidos dentro, ordenar e catalogar esses mesmos sentidos num cadinho, uma mesa de um laboratório onde tudo se mescla. Onde tudo corre o risco de rebentar. A revolução e a rua são divisões da sua casa. Nelas a sociedade e o conformismo podem ferir o íntimo mais puro do poeta que busca nas constelações, nos mares ou nos abismos o bálsamo para a pele. E o poema vai-se fazendo por ele próprio porque o poeta é, também, o poema. O poema pode roçar o toque de uma boca ou de uns seios, lamber o sabor do mel ou sorver a frescura da água. Ser o veludo da língua, o sonho no sono. É assim que o poeta Luís Oliveira vai “adiando a morte no contorno da vida”. Venturosos somos nós a quem ele dá o lume como quem dá um poema.